Fiquei frustrado ao saber que tive uma ideia usada. A divagar sobre meus olhos, tive-os como uma extensão de mim mesmo. Uma janela para uma parte íntima e pessoal de mim. E é aí que Leonardo da Vinci chegou algumas centenas de anos mais cedo, dizendo:
"Os olhos são a janela da alma e o espelho do mundo."
Vamos aos meus olhos. Eles são castanhos.Vinte um anos. Cresceram bem, enxergam de perto ou de longe. Já choraram muito e viram o dobro. Meus olhos. Lembro quando falaram que estes eram tristes, que mostravam o sofrimento que eu já havia passado e até mesmo o qual eu ainda iria passar. Outros disseram que meus olhos traziam um olhar infantil. Uma inocência que poderia, inclusive, ser o motivo da minha feição de criança. Ah, meus olhos....
Passei algum tempo perguntando o que eles queriam dizer. O porquê das suas ideias quanto aos meus olhos. Até que procurei a resposta no lugar onde todos os autoquestionamentos tomam vida: em mim. No dono dos olhos infantis. E lembrei que somos todos caixinhas. Maiores com o passar do tempo, sempre a encher-se de experiências, emoções, traumas, memórias, dores e amores. Sou uma caixinha e nem me disponho a começar a listar todo conteúdo. Há um erro obscuro em querer se definir com totalidade. Mas pense nessa caixinha de olhos. Meus olhos.
Entre mil coisas, sou de sentimentos. De sentir. De amar, animar, ter medo, de esperar, de desejo. Sou da sensibilidade e do favor ao autoconhecimento livre de quaisquer preconceitos. Sentir é arte e sentir demais faz parte. Talvez seja isso que meus olhos passam. Não é tristeza ou infantilidade. É essa pequena parte intrínseca, sensível e iluminada que guardo no meu peito durante todos esses anos. Uma essência que quase consegue me definir.
E volta e meia me pego com receio de manter as janelas abertas. O que vão pensar de minha casa? Os móveis vivem desarrumados e as roupas sujas se espalham pelo chão. Espero que alguém veja que não sou de todo bagunça. Espero que alguém veja que há ordem nesse pequeno caos que sou eu. Quando espiarem pelas minhas janelas, espero que vejam certo. Espero que me vejam.
segunda-feira, 18 de setembro de 2017
Turistas
Estou na orla do Gragoatá, meu campus da UFF. Estou deitado na grama e meus pés descalços sentem o vento gelado bater com uma sensibilidade atípica. O som é da água batendo nas pedras logo abaixo e o cheiro é de mato e água. Eu gosto daqui, de olhar toda a quantidade de água que se alastra até a enorme ponte Rio-Niterói e além dela. Também gosto dos diversos barcos, navios, barcas ou seja lá os nomes desses veículos aquáticos que se espalham como brinquedos de criança pequena pelo chão da sala. Tudo isso me conforta, me acalma.
Porém, não estou realmente lá. Estou em casa, sentado na varanda a ver nada além do meu quintal e seus muros. Mas sou um escritor, logo, um mentiroso. Não estive, de fato, em metade dos lugares que visitei. Alguns eu criei, outros arranjei passagens temporárias, universos alheios. Sempre um anfitrião de escassos leitores ou um convidado de amigos escritores.
De palavras somos todos turistas.
Porém, não estou realmente lá. Estou em casa, sentado na varanda a ver nada além do meu quintal e seus muros. Mas sou um escritor, logo, um mentiroso. Não estive, de fato, em metade dos lugares que visitei. Alguns eu criei, outros arranjei passagens temporárias, universos alheios. Sempre um anfitrião de escassos leitores ou um convidado de amigos escritores.
De palavras somos todos turistas.
domingo, 17 de setembro de 2017
Fumaça
Acende, traga, sopra, pensa
Mudança dos meus antigos e novos
Agrego, altero, evoluo
Traga, sopra, pensa
Categorização do ser, divisão, segregação
Regulamento de como ver, como querer
Traga, sopra, pensa
Sufocamento de desejo, medo
Conhecimento, aceitação, cura
Traga, sopra pensa
Autoconhecimento, autoajuda, autoamor
Peso nos ombros, falta de tempo, força
Traga, sopra, pensa
Calma, paz, presente, agora
Impermanência
Traga, sopra, pensa
Apaga
Mudança dos meus antigos e novos
Agrego, altero, evoluo
Traga, sopra, pensa
Categorização do ser, divisão, segregação
Regulamento de como ver, como querer
Traga, sopra, pensa
Sufocamento de desejo, medo
Conhecimento, aceitação, cura
Traga, sopra pensa
Autoconhecimento, autoajuda, autoamor
Peso nos ombros, falta de tempo, força
Traga, sopra, pensa
Calma, paz, presente, agora
Impermanência
Traga, sopra, pensa
Apaga
domingo, 13 de agosto de 2017
urgência
O problema foi notar.
Perceber que sou de fases, que mudo os ares.
O problema foi descobrir que sou uma constante mudança.
Eu tinha o costume de ver meu futuro como algo sólido, como algo palpável. Mas hoje sei que as coisas não são assim. E há sim, um certo conforto em saber que não há o que me prenda, em saber que não há o que seguir. Mas e aí? Agora que me vejo com mil possibilidades, quero agarrar todas.
Quero tudo. Quero todos. Quero sempre.
Querer, querer, querer. O pior pecado das nossas almas.
Vejo uma gama infinita de chances e acabo me perdendo nelas.
O que realmente sou? O que realmente quero? Não sei. E talvez nunca saberei.
Querer, querer, querer.
Sei que quero paz. Mas também quero agarrar o mundo com meus braços. E mesmo que eu saiba do potencial, meus músculos fraquejam, minhas mãos são escorregadias demais. Vejo tudo esvair pelos meus dedos como areia de praia. Insatisfação. Frustração. Desespero. Os problemas são outros, as urgências também. Os medos mudam também. Em fotos e textos me vejo em diferentes versões de mim mesmo, diferentes vontades. Sei que vou continuar mudando pra sempre, meu medo e meu conforto. Mudança. Algumas coisas levarei para vida. Aceitação é cura. Mudança é fato. Amor?
Memórias me formam não mais do que objetivos. Ânsias, vontades, alvos. Sempre me fazendo quem eu realmente sou. E o que eu quero? Tudo.
Perceber que sou de fases, que mudo os ares.
O problema foi descobrir que sou uma constante mudança.
Eu tinha o costume de ver meu futuro como algo sólido, como algo palpável. Mas hoje sei que as coisas não são assim. E há sim, um certo conforto em saber que não há o que me prenda, em saber que não há o que seguir. Mas e aí? Agora que me vejo com mil possibilidades, quero agarrar todas.
Quero tudo. Quero todos. Quero sempre.
Querer, querer, querer. O pior pecado das nossas almas.
Vejo uma gama infinita de chances e acabo me perdendo nelas.
O que realmente sou? O que realmente quero? Não sei. E talvez nunca saberei.
Querer, querer, querer.
Sei que quero paz. Mas também quero agarrar o mundo com meus braços. E mesmo que eu saiba do potencial, meus músculos fraquejam, minhas mãos são escorregadias demais. Vejo tudo esvair pelos meus dedos como areia de praia. Insatisfação. Frustração. Desespero. Os problemas são outros, as urgências também. Os medos mudam também. Em fotos e textos me vejo em diferentes versões de mim mesmo, diferentes vontades. Sei que vou continuar mudando pra sempre, meu medo e meu conforto. Mudança. Algumas coisas levarei para vida. Aceitação é cura. Mudança é fato. Amor?
Memórias me formam não mais do que objetivos. Ânsias, vontades, alvos. Sempre me fazendo quem eu realmente sou. E o que eu quero? Tudo.
segunda-feira, 3 de julho de 2017
Uma carta de esclarecimento do futuro.
Você vai, sim, passar por dias difíceis. Você vai ter que lidar com rejeições. Você vai querer ao máximo se conhecer melhor e saber suas qualidades mais incríveis, que muitas vezes parecerão inexistentes. Vai conhecer mil pessoas e pelos mais diversos motivos, vai parar de falar com metade delas. Você vai amar muito alguém e ser correspondido com uma apatia de mesma intensidade. Você vai chorar por alguém que morreu. Ou até mesmo por alguém que, em vida, foi embora. Você vai querer coisas que não estão ao seu alcance. O tempo todo. Você vai sonhar e muitas vezes se culpar por isso, porque les temps sont durs pour les rêveurs. Você vai chorar muitas vezes e vai passar uma boa parte dos seus dias numa procura desesperada por motivos para ficar, para continuar aqui, de olhos abertos e mente acesa.
Eu escrevo isso pra te confortar. Escrevo na data de hoje, três de julho de 2017, alguns dias antes do seu aniversário de 21 anos, mas meu objetivo aqui é atemporal. Minha carta é do futuro. Ela é para o Eduardo de anos atrás, pro Eduardo de hoje e até mesmo para o de amanhã. Resumidamente, ela é para o eu de alguns dias atrás, alguns erros atrás. Ela é para o eu são e racional, ciente de que vai tudo ficar bem.
E, realmente, tudo vai ficar bem. Uma hora ou outra vai. Dias difíceis vão te dar um tempo. Você vai entender uma hora ou outra que tá tudo bem ser rejeitado e que não devemos nos qualificar pelos olhos dos outros. Você vai cada dia se conhecer melhor e vai se orgulhar disso. Vai se orgulhar de quem você se tornou. Você vai, também, entender que relações entre pessoas podem ser complicadas e é sempre bom dar tempo ao tempo. E levar as coisas com amor e calma. Você vai entender que o amor é tanto simples quanto complicado, e que um dia você vai conseguir amar alguém. Ou não, e está tudo bem nisso. Você vai entender que nem tudo é pra sempre e vai aprender também como dizer adeus. E o mais importante de tudo: Você vai entender que a única pessoa que decide quando é o fim ou não é você, e mais ninguém. Então, acalme-se. Vá ouvir uma música e escrever algo. O futuro é sempre mais brilhante do que se imagina.
Eu escrevo isso pra te confortar. Escrevo na data de hoje, três de julho de 2017, alguns dias antes do seu aniversário de 21 anos, mas meu objetivo aqui é atemporal. Minha carta é do futuro. Ela é para o Eduardo de anos atrás, pro Eduardo de hoje e até mesmo para o de amanhã. Resumidamente, ela é para o eu de alguns dias atrás, alguns erros atrás. Ela é para o eu são e racional, ciente de que vai tudo ficar bem.
E, realmente, tudo vai ficar bem. Uma hora ou outra vai. Dias difíceis vão te dar um tempo. Você vai entender uma hora ou outra que tá tudo bem ser rejeitado e que não devemos nos qualificar pelos olhos dos outros. Você vai cada dia se conhecer melhor e vai se orgulhar disso. Vai se orgulhar de quem você se tornou. Você vai, também, entender que relações entre pessoas podem ser complicadas e é sempre bom dar tempo ao tempo. E levar as coisas com amor e calma. Você vai entender que o amor é tanto simples quanto complicado, e que um dia você vai conseguir amar alguém. Ou não, e está tudo bem nisso. Você vai entender que nem tudo é pra sempre e vai aprender também como dizer adeus. E o mais importante de tudo: Você vai entender que a única pessoa que decide quando é o fim ou não é você, e mais ninguém. Então, acalme-se. Vá ouvir uma música e escrever algo. O futuro é sempre mais brilhante do que se imagina.
domingo, 25 de junho de 2017
Divagações do significado da arte
Arte. O que é arte?
Arte é subjetiva. Então, começando por aí, vemos que ela não é pública, mas estritamente pessoal.
Pra mim, por exemplo, a arte está em se expressar. Tirar algo de dentro de você e pôr na ponta dos dedos. E produzir. Agora, o produto pode agradar ou não. Pode ser belo ou feio. Pode ser bom ou ruim. Mas a questão é: Quem pode dizer?
Você acabou de se materializar, tirar um pedacinho de você e expor aos outros. Você está pegando o seu íntimo e se despindo. Mostrando aos outros uma parte de você tão secreta que chega a ser embaraçoso.
Eu, Eduardo Bessa, escrevo. E essa é a minha forma de arte. É a minha forma de me mostrar e dialogar comigo mesmo. É só me colocando em palavras que consigo entender a mim mesmo. Só assim eu consigo me entender e ter um pouco de compaixão à mim mesmo. É depois de terminar de escrever meus textos e parando para revisá-los que eu percebo o que está realmente acontecendo com o mundo. O que está acontecendo comigo. Pra mim, arte é clareza.
E as vezes me sinto mal por que não escrevo. Me sinto um traidor porque sei que quando está tudo bem eu não me sento em frente o computador e produzo. Não há pensamentos confusos e épocas tempestuosas para por na mesa e dissecar. E então chego a conclusão de que a arte também pode ser egoísta. Tão requisitada mas muitas vezes facilmente descartada como remédios de alguém que interrompeu o tratamento cedo demais.
Por fim, arte é arte. Tão inteira e autônoma que é quase uma piada tentar defini-la em palavras. Assim como o amor, é comercializada, vendida e culturalmente conhecida. Mas diferente e única para cada um. Intrínseca em cada um de nós com tanta naturalidade e complexidade que muitas vezes não a reconhecemos. Mas estará sempre lá, a arte. E quando precisarmos de ajuda, chamamos ela. Porque só a arte salva.
Arte é subjetiva. Então, começando por aí, vemos que ela não é pública, mas estritamente pessoal.
Pra mim, por exemplo, a arte está em se expressar. Tirar algo de dentro de você e pôr na ponta dos dedos. E produzir. Agora, o produto pode agradar ou não. Pode ser belo ou feio. Pode ser bom ou ruim. Mas a questão é: Quem pode dizer?
Você acabou de se materializar, tirar um pedacinho de você e expor aos outros. Você está pegando o seu íntimo e se despindo. Mostrando aos outros uma parte de você tão secreta que chega a ser embaraçoso.
Eu, Eduardo Bessa, escrevo. E essa é a minha forma de arte. É a minha forma de me mostrar e dialogar comigo mesmo. É só me colocando em palavras que consigo entender a mim mesmo. Só assim eu consigo me entender e ter um pouco de compaixão à mim mesmo. É depois de terminar de escrever meus textos e parando para revisá-los que eu percebo o que está realmente acontecendo com o mundo. O que está acontecendo comigo. Pra mim, arte é clareza.
E as vezes me sinto mal por que não escrevo. Me sinto um traidor porque sei que quando está tudo bem eu não me sento em frente o computador e produzo. Não há pensamentos confusos e épocas tempestuosas para por na mesa e dissecar. E então chego a conclusão de que a arte também pode ser egoísta. Tão requisitada mas muitas vezes facilmente descartada como remédios de alguém que interrompeu o tratamento cedo demais.
Por fim, arte é arte. Tão inteira e autônoma que é quase uma piada tentar defini-la em palavras. Assim como o amor, é comercializada, vendida e culturalmente conhecida. Mas diferente e única para cada um. Intrínseca em cada um de nós com tanta naturalidade e complexidade que muitas vezes não a reconhecemos. Mas estará sempre lá, a arte. E quando precisarmos de ajuda, chamamos ela. Porque só a arte salva.
Lugar de conforto
Me desculpe razão, mas não importa o quanto eu te idolatre, você não tem espaço nesse argumento. Porque eu sei, qualquer um diria que aqui é meu lugar de conforto. No quarto da minha casa na minha cidade pacata às sete da noite com a brisa fresca entrando pela janela. A música me agrada, o clima também. E minha casa é a mais ordinária e cheia de conforto que se possa imaginar. Mas não é aqui. Não é aqui meu lugar para agora.
Acho que talvez esse seja bem longe daqui, no alto de uma montanha a ver o sol se por. Ouvindo música com algumas companhias agradáveis que insistem em conversar sobre os porquês e pra quês da vida. Talvez meu lugar não seja físico. Talvez seja tudo na minha cabeça.
Na verdade, é claro que está tudo na minha cabeça. E fugir talvez me distanciasse dos problemas que me cercam por aqui. Fugir com as pernas ajuda a fugir com a mente, provavelmente porque somos limitados psicologicamente nesse quesito. E isso é bom, não?
Acho que talvez esse seja bem longe daqui, no alto de uma montanha a ver o sol se por. Ouvindo música com algumas companhias agradáveis que insistem em conversar sobre os porquês e pra quês da vida. Talvez meu lugar não seja físico. Talvez seja tudo na minha cabeça.
Na verdade, é claro que está tudo na minha cabeça. E fugir talvez me distanciasse dos problemas que me cercam por aqui. Fugir com as pernas ajuda a fugir com a mente, provavelmente porque somos limitados psicologicamente nesse quesito. E isso é bom, não?
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