Se ainda tenho um maço
e alguns baseados
Permaneço hoje de olhos fechados
Com mil sinais brilhando nas minhas costas
Ando de trás pra frente
não porque retrocedo
mas olho o passado se montar diante de mim
com as costelas doídas de bater nas quinas
Os olhos cansados de ver tudo se repetir,
os pés automáticos mas aterrorizados
o futuro cada vez mais perto, nunca chegando
me puxando pelo ombro em silêncio
Ando para trás porque é a única maneira de seguir em frente
estou cansado de correr apenas para o passado
mas parece que nasci para isso, para todo esse percurso
Talvez eu pudesse ter apenas um vislumbre
Ficar parado, olhar por cima do ombro rígido
Ver o que me espera
Mas só ao imaginar já congelo
Só de pensar o nó já me invade a garganta
Preciso andar, mas não quero andar de costas
Tive o dom para várias coisas, mas não para isso
Não para amenizar as ansiedades do coração do meu pé
Não para ver o futuro, mas para esperar
Tive o dom de poder acertar
Mas a maldição de nunca saber quando
Quero ir, cansei de ficar
Mas é aqui onde posso me abrigar
Aqui, longe