sábado, 18 de julho de 2026

Ciel de cendre

Se ainda tenho um maço
e alguns baseados
Permaneço hoje de olhos fechados 
Com mil sinais brilhando nas minhas costas

Ando de trás pra frente
não porque retrocedo
mas olho o passado se montar diante de mim
com as costelas doídas de bater nas quinas

Os olhos cansados de ver tudo se repetir,
os pés automáticos mas aterrorizados
o futuro cada vez mais perto, nunca chegando
me puxando pelo ombro em silêncio 

Ando para trás porque é a única maneira de seguir em frente
estou cansado de correr apenas para o passado 
mas parece que nasci para isso, para todo esse percurso 
Talvez eu pudesse ter apenas um vislumbre

Ficar parado, olhar por cima do ombro rígido
Ver o que me espera
Mas só ao imaginar já congelo 
Só de pensar o nó já me invade a garganta

Preciso andar, mas não quero andar de costas
Tive o dom  para várias coisas, mas não para isso
Não para amenizar as ansiedades do coração do meu pé
Não para ver o futuro, mas para esperar

Tive o dom de poder acertar
Mas a maldição de nunca saber quando 
Quero ir, cansei de ficar
Mas é aqui onde posso me abrigar

Aqui, longe

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Venlafaxina 75mg

Cá estou eu, entre arfadas
Sai de mim melancolia, tantos dias que não te vejo 
E vem correndo a cada vez que fecho uma porta de casa
Não tenho tempo, ar ou sossego pra ser melancólico agora

Aquela pontada quase como se me empalassem o coração 
Sinto como se pudesse, em vias literais, morrer de medo 
Será que apostei demais pra mim? 
A cortina de fumaça está se esvaindo

Não quero ir junto,  não quero ver
Quero ver, quero ir
Não digo, desta vez, que me perco
Pois tenho medo demais para parar e olhar

Onde me enfiei 
Onde depositei minhas fichas
Provavelmente em mim mesmo, acho que ganhei, alguém me disse
E o que faço com esse sentimento duro 

Que não posso ainda nem te conceber
já sofri demais hoje 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Early wakening

 Two thousand and fuck

Awakening of the best

Who let all dreams to waste

Drinking and smoking what one could

For a little bit more of whatever it takes

To open my eyes while looking

And close them while sleeping

For I can only go with what adds me

Above all my lacks and losses

It's still here

My body, weightless, mindless pretending

Of a life I dream

Once bitten by all the past injuries 

And not fully eaten 

Saved by my lust of not driving it to oblivious