quarta-feira, 16 de setembro de 2026

em outra história

Imagina olhar pra trás e dizer:
lembra de quando nos parabenizávamos
por cada hora dormida do dia? 
nos parabenizávamos por conseguir descansar
ah, como nos importávamos
com a mais doce hora, da fuga, do sono e do descanso
Imagina ver de longe, todo o cansaço e pessimismo 
Não pedir cura porque já se tem cura
Imagina, olhar para outra vida e se compadecer
Por um eu que busca paz em migalhas 
E não é gratificado com nenhuma mudança absurda
Ai de ti! 
É obrigado a andar devagar, tijolo por tijolo 
só para quando cair... perder todos de uma vez
Imagina
Se ver de fora, em outro tempo 
Talvez um sorriso bobo possa sair da banalização de dores passadas
Talvez haja saudade
Talvez fosse melhor lá 
Imagina olhar para trás
só porque consegui ir para frente 


sábado, 18 de julho de 2026

Ciel de cendre

Se ainda tenho um maço
e alguns baseados
Permaneço hoje de olhos fechados 
Com mil sinais brilhando nas minhas costas

Ando de trás pra frente
não porque retrocedo
mas olho o passado se montar diante de mim
com as costelas doídas de bater nas quinas

Os olhos cansados de ver tudo se repetir,
os pés automáticos mas aterrorizados
o futuro cada vez mais perto, nunca chegando
me puxando pelo ombro em silêncio 

Ando para trás porque é a única maneira de seguir em frente
estou cansado de correr apenas para o passado 
mas parece que nasci para isso, para todo esse percurso 
Talvez eu pudesse ter apenas um vislumbre

Ficar parado, olhar por cima do ombro rígido
Ver o que me espera
Mas só ao imaginar já congelo 
Só de pensar o nó já me invade a garganta

Preciso andar, mas não quero andar de costas
Tive o dom  para várias coisas, mas não para isso
Não para amenizar as ansiedades do coração do meu pé
Não para ver o futuro, mas para esperar

Tive o dom de poder acertar
Mas a maldição de nunca saber quando 
Quero ir, cansei de ficar
Mas é aqui onde posso me abrigar

Aqui, longe

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Venlafaxina 75mg

Cá estou eu, entre arfadas
Sai de mim melancolia, tantos dias que não te vejo 
E vem correndo a cada vez que fecho uma porta de casa
Não tenho tempo, ar ou sossego pra ser melancólico agora

Aquela pontada quase como se me empalassem o coração 
Sinto como se pudesse, em vias literais, morrer de medo 
Será que apostei demais pra mim? 
A cortina de fumaça está se esvaindo

Não quero ir junto,  não quero ver
Quero ver, quero ir
Não digo, desta vez, que me perco
Pois tenho medo demais para parar e olhar

Onde me enfiei 
Onde depositei minhas fichas
Provavelmente em mim mesmo, acho que ganhei, alguém me disse
E o que faço com esse sentimento duro 

Que não posso ainda nem te conceber
já sofri demais hoje 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Early wakening

 Two thousand and fuck

Awakening of the best

Who let all dreams to waste

Drinking and smoking what one could

For a little bit more of whatever it takes

To open my eyes while looking

And close them while sleeping

For I can only go with what adds me

Above all my lacks and losses

It's still here

My body, weightless, mindless pretending

Of a life I dream

Once bitten by all the past injuries 

And not fully eaten 

Saved by my lust of not driving it to oblivious

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Can't

 Im such

An exaustive

Person

You know the feeling of teaching when "if youre having fun, they are "

Well im feeling like nobodys having fun

 Im too broken for all of this

I will never belong I guess

And ive lost so much

 I almost dont have nothing else left to hold onto

That tells me im worth to keep goinf

Every memory is just another fail predicting and every trial is another place to  fall and nothing changes

And each time I fall is worse

 So i dont feel like I got better and im backsliding

I feel like im really close to the end

And maybe its all just ego

Attention and recognitions 

To save a soul from fleeing

Far cry from home

Would I believe in all the answers 

If they had gone in my way?

Can I believe in all the answers

If they start going my way?

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Pouco

Eu quis
a todo custo
recuperar o que perdi 
Me distanciei ao máximo 
de tudo o que uma vez decidi 
Ser,
e mais, viver
nunca foi tão difícil 
Partido ao meio e em fragalhos 
perdido e agarrado ao descaso 
fui me tornando mais raso 
pra fugir daquela dor 
fui diminuindo 
pra caber
dentro
de mim 
mais uma vez
longe de todo amor 
e perto de toda saudade 
Jogo os braços pra cima num impulso 
de agarrar em algo que me salvaria de mim mesmo 
Mas estou cansado de lutar para não afundar
enquanto me disparo palavra por palavra 
É só mais uma tentativa desesperada
Por algo que nem sei mais o nome 
Alguma coisa que me acalme 
E me dê contorno sólido 
Pra falhar de novo 
Outra vez 
Pouco






quinta-feira, 19 de junho de 2025

Uma copia barata de fernando pessoa

Por mais incrível que pareça

Por mais risório

Não  explodi 


Não voei como pó 

Não sumi do mundo 

Não  sucumbi


Por quê? Pra quem? 

Do custo guardei todos os cupons fiscais

Da perda guardei todas as memórias 


Porque ficaram todos lá 

E não voltaram


Mas continuei 

Só eu

Onde estão os que tem meu sangue

senão frios, por baixo ou por cima

da terra fria, que come e corrói 


Quem vai me provar

que esse tempo não é extra

e que há  um motivo 

Para percorrer esses corredores

Varrer esse chão, fechar essas janelas

Abrir essas janelas


Quem vai me convencer

De que é certo estar aqui

De que valeu a pena ir tão longe


E suportar tanto

É como levar um copo dágua às fontes

E ir tão  longe

É como escrever um livro sem letras, sem história 

E continuar tentando

É como desistir, e perder

E perder, e perder

e perder