domingo, 10 de junho de 2018

Attendre

Il y a des bons jours. Tout le monde connaît les bons jours.
Le temps est bon, les visages sont tous heureux et l'amour est très présent que jamais. Les sourires sont là, cette chaleur à la poitrine me réchauffe, me fait du bien, me rassure, me dit que tout ira bien.

Mais il y a aussi une chose que j'appelle de jours fragiles. Tout le monde connaît les jours fragiles.
Le soleil peut même échapper aux nuages mais le temps n'est pas bon. C'est tout triste, c'est tout lourd, mes yeux voient tout en noir et blanc. Dans les jours fragiles les pensées sont très agressives, ma peau est très fragile et il semble que je vais éclater de l’univers.

Est-ce que je veux éclater de l'univers? Dans les jours fragiles, je sais pas.
Dans le jours fragiles, je ne peux que fermer mes yeux, respirer profondément et attendre que le soleil se lève de nouveau, attendre qu'il puisse réchauffer ma poitrine froide, attendre que le jour prochain soit bon. Donc c'est ce que je fais, j'attends.    

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Primeiro de junho

Hoje é seu aniversário.
Talvez o motivo disso seja minha empatia enraizada, talvez a saudade e com certeza meu jeito de sentir demais.  Esses dias eu vi com clareza um mundo sem mim, hipótese de tempos em tempos recorrente aqui dentro. As pessoas sentiam falta e sofriam. Eu sei porque foi assim com você e não seria muito diferente comigo. É diferente essa perspectiva de ausência, lugar onde trabalho com maneiras de como as coisas poderiam ter sido e como as coisas ainda poderiam ser, sem um ou sem outro. Imagino constantemente como as coisas podem ser diferentes a medida que fazemos decisões, como a de ir ou ficar. E dói saber que talvez tenha sido assim com você um dia. O que eu sinto não é apenas saudade, mas uma constante impermanência e confusão de ideias na cabeça que me fazem sempre pensar demais. Querer fazer diferente com os que já não estão mais aqui nos impulsiona a fazer diferente com os que ficam. Eu adoraria fazer diferente por você. Fazer diferente com eles. Fazer diferente comigo mesmo. Feliz aniversário irmãozinho.


quarta-feira, 30 de maio de 2018

A ma grande amie qui parle français



Nous avons déjà été grands
Nous avons déjà été importants

Nous avons déjà été infinis 

Et tout ça qui est déjà passé se complique en écrivant 
Il n'y a pas de poème qui puisse traduire une amitié comme la nôtre
Et c'est dans mes efforts ici en vain  qui j'essaie  de te dire comme je me sens

Je ne veux pas te battre

Je ne veux pas te faire du mal
Mais ces jours-là j'ai appris à 
donner l'amour que je reçois
 

Je t'aime encore 

C'est ma bénédiction et ma malédiction
Entre mes tentatives de te joindre, ça me fait mal de te voir partir petit à petit
Tu me manques comme aucune amie ne m'a manqué avant 

Mais ça ne fait pas mal

Je t'attendrai pendant que j'essaie  de diriger mon cœur
Dis-lui que tout va bien en l'absence
Je t'attendrai revenir et m'appeler chéri
Dis-moi que notre amitié compte
Je t'attendrai parce que nous avons dit que nous serions éternelles

Je t'attendrai

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Mãe

Eu não sei onde tudo começou  a ficar tão difícil.
Talvez tenha sido quando eu comecei a me sentir excepcionalmente triste, ou quando eu descobri que o meu prazer era despertado nas pessoas "erradas", ou quando descobri que sentia demais das piores maneiras possíveis. É nesse palpite de sentir muito que eu aposto boa parte dos meus problemas, incluída aquela depressão que vai e volta como um vizinho chato que insiste em entrar na minha casa sem permissão.

Os dias não têm sido fáceis, nem pra mim e nem pra você. Nós temos nos tratado de maneiras que nunca mereceríamos e imagino que há muita culpa nas circunstâncias, na divergência de pensamentos e na insistência inconveniente que é viver com alguém de momentos tão diferentes dos seus.
Sinto por mim e consigo facilmente sentir por você e saber que somos ambos solitários. Sentimos falta de carinho e de amor grande parte do tempo. Sentimos falta de gente que foi embora e de gente que nem mesmo chegou a aparecer nas nossas vidas. Temos amor pra dar, mas ao mesmo tempo nos envolvemos em carapaças rígidas e impenetráveis porque já passamos por muito e temos medo de passar de novo. A vida não foi e nem tem sido fácil com a gente e é triste saber que passamos boa parte do tempo nos colocando um contra o outro, quando o que mais precisamos é estar juntos.

Eu não acredito que laços familiares sejam premissas de boas relações afetivas. Quando se nasce gay, é mais fácil de ver que nossa verdadeira família não somos nós que escolhemos é mais fácil ainda de ver que nossa família muitas vezes não vai ser 1/3 do que achamos fora de casa. Hoje descobrimos que família pode te fazer sofrer, pode te fazer chorar e inclusive pode, no sentido literal da palavra, matar você. E eu sei que sou privilegiado. Da minha família, você e Vanessa, sempre tive abrigo, amor e carinho. E mesmo que por algum tempo tenham havido pausas para reflexão e aquele tipo de crescimento gradual e efetivo, eu sei que também tive de vocês aceitação e entendimento. Eu sou grato por esse amor e me culpo todos os dias por não expressar de volta todo o amor e a gratidão que foram cultivados dentro de mim. Todas as vezes que ouço histórias de famílias que machucam seus filhos, lembro de como sou sortudo de ter você.

Eu demorei muito pra começar a entender o que é amor próprio. Demorei tanto tempo que consegui cicatrizes emocionais e físicas das dores que passei e que insistem em me lembrar sempre de como é sofrer. Hoje eu consigo ver um feixe de luz do que é amar a si mesmo. Consigo não abraçar todo ele de uma vez, algo que com certeza é impossível pra qualquer um, mas pelo menos entender que ele existe e está lá, para mim, pronto pra ser usado. Hoje eu me amo. E por incrível que pareça, mesmocom todas as nossas diferenças, tenho certeza de que você é no mínimo 50% de mim, algo que ninguém mais conseguiu ser. Te copiei nos melhores traços e cresci nas suas melhores lições. Me desculpa por não conseguir retribuir todo o amor que você me deu todos esses anos, é uma tarefa impossível de se completar integralmente e difícil de encaixar na nossa cansada rotina. Mas saiba que quando você duvida do meu amor, dói tanto quanto eu duvidar do seu amor, é ofensivo. Eu te amo e eu sei que esse amor nunca vai ser o suficiente pra você porque você merece muito mais, mas faço o que consigo e amo como posso. Vai dar tudo certo no final das contas, sempre dá, é o que costumo a dizer para mim mesmo...

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Oração

Cresci numa casa evangélica.
Acredito que nossas circunstâncias atuais iluminam aquelas coisas que, anos atrás, estariam servindo de motivos iniciais. Não o contrário, como que se o passado definisse nosso presente, acho que essa é uma concepção que tomamos para aceitar as coisas mais facilmente. É o que faz sentido pra gente, algo fácil de engolir.
Eu orava. Fechava os olhos e falava com Ele, alguém de que minha família tinha muito respeito, que todos eles diziam amar mais do que qualquer um, inclusive nós mesmos. Eu sempre me perguntava o porquê desse amor ser tão grande, irracional e mal fundamentado. Hoje em dia entendo os porquês, mas sou grato de não compartilhar da mesma chama ao divino nunca visto. Meu lado divino se debandou para outras coisas, outros aspectos da vida que resolvi realmente dar valor. A questão é que as vezes me pego numa necessidade estranha de orar. Aliás, desde agora já vou me explicando porque não quero que muitas das minhas palavras sejam lidas enquanto pensem que eu quero orar pra "deus". Eu orava quando criança pra pedir. Agradecia por obrigação e pedia pra ganhar. Todos queremos ganhar coisas, desde crianças. Hoje eu escrevo. Peço? Peço. Mas sei que meu apelo é pra dentro, meu divino é outro. É engraçado como escrever (o que considero assim como muita gente uma ação solitária) me traz mais conforto e companhia do que falar, de olhos fechados e mente "aberta" para alguém que nunca chegou de fato a me responder. Sua resposta vinha das bocas daqueles que o glorifiavam. Demorei a perceber que a resposta era humana, assim como a mentira.
Portanto, eu escrevo. Agradeço por poder e saber estar aqui. Peço pra ganhar. Mas sei que não vou ganhar nada de ninguém. Peço pra ganhar de mim mesmo.
Me dê força de vontade, me dê olhos de observador e não de acusador, me dê inteligência intelectual e espiritual para saber meus meios. E por favor, me dê luz para que eu não me perca de novo.
Amém

domingo, 15 de abril de 2018

Dor terceirizada

Eu sei que eu sofro porque as pessoas fazem coisas que me afetam se nem mesmo perceberem, e é horrível viver assim porque eu sei que a culpa não é de ninguém, senão desses meus traumas internos e da minha sensibilidade que eu passo todos os dias tentando dizer que não se trata de um defeito, mas que é quase impossível de defender. Eu to escrevendo isso pra vocês porque eu quero que vocês saibam o que aconteceu, porque não ia me aguentar sabendo que nem mesmo passou pela cabeça de vocês o quanto aquilo me machucou. Eu quero melhorar, mas tenho medo de que eu realmente seja assim e não há concerto pra isso, então não sei o que vou fazer. De qualquer maneira, estou com um enorme peso a menos por me abrir pra vocês porque eu realmente os amo do fundo do meu coração e eu sei que vocês nunca iriam me machucar desse jeito deliberadamente. Mas as coisas são como são, e esses dias eu só sinto dor e nem mesmo tenho a quem culpar.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

De novo.

Meu fôlego se despede enquanto meus dedos choram por misericórdia. Não quero escrever, quero me expor, como sempre quis. Porque é nas minhas tentativas de exposição que tento trocar, tento esvaziar um pouco dessa imensidão que sinto. É sempre assim. É sempre difícil. É sempre trabalhoso e triste me soltar de tanta coisa que insiste sempre em se prender a mim. Quero novamente ir embora porque estou cansado. Queria mais que tudo não precisar sempre escrever as mesmas coisas e passar pelos mesmos caminhos. Queria me livrar desses ciclos e fugir desse limbo. Mas sempre acabo aqui, escrevendo as mesmas dores e fugindo dos mesmos temores. Reivindico mudança constante mas o ponto de partida sempre parece tão perto que dói. Queria ir pra longe. Daqui e de mim. E minhas alternativas parecem escassas porque a dor vem de dentro. E as alternativas parecem escassas porque não parece haver saída. Porque o labirinto não desemboca fora, acaba dentro.  Aqui dentro que é escuro, amedrontador e sozinho. E com certeza já escrevi essas palavras, e elas já me escreveram. Estou preso de novo. E as barras de ferro que me cercam parecem mais geladas que nunca. Não quero mais.