sábado, 18 de julho de 2026

Ciel de cendre

Se ainda tenho um maço
e alguns baseados
Permaneço hoje de olhos fechados 
Com mil sinais brilhando nas minhas costas

Ando de trás pra frente
não porque retrocedo
mas olho o passado se montar diante de mim
com as costelas doídas de bater nas quinas

Os olhos cansados de ver tudo se repetir,
os pés automáticos mas aterrorizados
o futuro cada vez mais perto, nunca chegando
me puxando pelo ombro em silêncio 

Ando para trás porque é a única maneira de seguir em frente
estou cansado de correr apenas para o passado 
mas parece que nasci para isso, para todo esse percurso 
Talvez eu pudesse ter apenas um vislumbre

Ficar parado, olhar por cima do ombro rígido
Ver o que me espera
Mas só ao imaginar já congelo 
Só de pensar o nó já me invade a garganta

Preciso andar, mas não quero andar de costas
Tive o dom  para várias coisas, mas não para isso
Não para amenizar as ansiedades do coração do meu pé
Não para ver o futuro, mas para esperar

Tive o dom de poder acertar
Mas a maldição de nunca saber quando 
Quero ir, cansei de ficar
Mas é aqui onde posso me abrigar

Aqui, longe

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